Um pouco além de respeitar a diversidade

13 de julho de 2017 23 comentários



Hoje está muito em moda se falar em diversidade, ensinar as crianças a respeitar a diversidade, inclusão social e tudo o mais, e é valido, muito válido e necessário. Todo mundo é a favor deste respeito, mas no nosso dia a dia não é bem assim que as coisas funcionam.

Tem um filme antigo chamado Splash, uma seria em minha vida, que à primeira vista parece ser um filme para crianças, mas não é. Acho que este filme foi o precursor das séries e filmes sobre sereias, mas na verdade ele é o melhor filme sobre o tema que fizeram até hoje, pois o personagem principal, Allan Bauer (Tom Hanks) se apaixona por uma sereia, Madison (Daryl Hannah), sem saber que ela é uma sereia. Ele vai aceitando uma serie de estranhezas dela, como não falar o seu idioma, parecer meio parva, pois desconhece tudo do mundo a sua volta, não ter roupas, e vai se apaixonando por ela, até o momento em que descobre que ela é uma sereia, e ele leva um susto quando se vê apaixonado por um peixe e passa a rejeitá-la.

Se você não assistiu ao filme, eu recomendo muito e não vou contar o final. Quando ele está se sentindo um coitado, na pior fase de rejeição, se esquecendo que ela está morrendo em um laboratório, o irmão dele, Freddie Bauer (John Candy), dá um toque decisivo:

As pessoas se apaixonam todos os dias? Isso é besteira, isso não funciona assim. Percebeu o quanto estava feliz enquanto estava com ela? Algumas pessoas não serão felizes assim. Eu jamais serei feliz assim!

Quantas e quantas vezes não damos chance àquele cara por ser mais velho do que nós, mais novo, mais baixo, por ganhar menos? Quantas e quantas vezes rejeitamos a diversidade em nosso dia a dia?

O verdadeiro amor, a verdadeira amizade não exige que a pessoa por quem nos apaixonamos não seja transgênero. Acho que é mais amor o amor de alguém que se apaixona e se casa com uma pessoa transgênero do que este amor comum e medíocre que estamos acostumadas a viver e querer.

Eu comecei a pensar seriamente a este respeito quando uma amiga muito querida se apaixonou por um cara daqueles “arrasa quarteirão”. Ela é uma pessoa comum? Não, não é. Ela teve um AVC muito novinha, tem um filho e mora com os pais que ajudam a cria-lo. Ficou com algumas sequelas leves, mas é muito risonha, afável e é praticamente impossível não gostar dela. Esse cara adorava conversar com ela, ter ela por perto, e acho que os momentos mais felizes que ele tinha eram com ela.

A vida acabou por separá-los, ele nunca disse nada para ela, mas ela deixava claro que estava apaixonada por ele. Foi aí que vi que ela era uma sereia na vida dele e ele não queria que soubessem que ele estava apaixonado por um peixe.

Gostaria de ter tido a oportunidade de dizer a ele o que o Freddie disse para o Allan no filme Splash, pois dificilmente ele vai ser mais feliz com alguém do que era com essa minha amiga.

Aliás, algumas pessoas me olham com estranheza por eu ser amiga dela, mas eu sou feliz por ter uma amiga como ela e ela me faz feliz quando estou com ela.

Que tal parar um pouco com a panfletagem sobre diversidade e olhar com carinho as pessoas que cercam você, e quando falo isto, não estou falando de seus familiares, estou falando da faxineira do seu escritório, do rapaz do cafezinho, do atendente da lanchonete que fica perto do seu serviço e sempre troca uma palavra simpática com você. Abra seus olhos e o seu horizonte e acolha as pessoas que são diferentes de você, pois esta forma de ampliar o seu mundo, alargar o seu horizonte, é uma forma sutil de derrubar as barreiras do preconceito também.
  


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23 comentários :

  1. Aplaudindo tua mensagem!O mundo precisa alargar esse olhar! LINDO! bjs praianos,chica


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  2. Copiando o comentário da Chica,aplaudindo!Betty e beijos!

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  3. Amei essa postagem amiga, perfeita.
    Estou com olhos abertos, para tudo isso.

    bjokas =)

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  4. Betty eu assisti esse filme sábado kkkkkkkkkkkkkkkk eu adoro essa sereia.

    Beijinhosss ;*
    Blog Resenhas da Pâm

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    1. Este filme é fantástico, pois é o melhor recado de como devemos respeitar as diversidades,mas mais que isto, acolher!

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  5. Oi Betty, não assisti ao filme, mas vou procurá-lo na net.
    Não sei o que aconteceu, mas seu texto fez meus olhos encherem de lágrimas. Quantos amores desperdiçados por bobagens, por alguém e importar com a opinião dos outros, ou mesmo, por não se dar conta que está endo vencido por um monstro idiota dentro de si!
    Beijos,
    Ana

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    1. Todas nós já jogamos fora nossos peixes,por preconceito, sim preconceito no sentido estrito da palavra: pré + conceito.

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  6. Nossa Betty, que tocante sua mensagem! O filme é ótimo! Parabéns por saber colocar tão bem o que de fato sempre ocorreu em nosso mundo, e de uns tempos pra cá esta coisa está exacerbada, tudo e todos são rotulados, o significado de normal, bonito, certo...só serve aos interesses de uma sociedade machista e preconceituosa, onde as opiniões são deturpadas e os valores inexistem. E com isto mais e mais pessoas se tornam incompletas, ocas, infelizes e vivem de aparências, e preocupadas com a opinião do coletivo.

    Bjos,
    Mony

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    1. Vc disse bem "a opinião do coletivo", ganha muito importância diante da nossa própria felicidade e devido a ela abrimos mão de tantas coisas...

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  7. Aplausos, apenas aplausos!

    https://janaynnacabral18.blogspot.com.br

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  8. Querida Betty! Estas diversidades,acontece muito em países subdesenvolvidos. Infelizmente,a pobreza gera desigualdades sociais e muitos preconceitos. Não vejo e nem vivo isto por cá.A faxineira,a moça do escritório, o rapaz do cafezinho, a atendente da lanchonete ,o médico,a professora,a enfermeira,a médica...Todos são iguais.E tem o mesmo nivel social.A escola é igual para todos.Nao importa se os pais são médicos ou faxineiros. Beijinhos

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    1. Oi Patrícia,
      Sei que na Europa a coisa é diferente, mas o filme sobre rejeição é norte americano e aí existe outra rejeição, contra os muçulmanos principalmente. De uma forma ou de outra esta estranheza contra aquele que é diferente existe em todas as sociedades, infelizmente.
      Bjs

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  9. Ei Betty
    Este filme é daqueles que assistimos quantas vezes tivermos oportunidade, muito bom.
    Assunto pra lá de difícil, infelizmente preconceito, discriminação sempre irão existir, cabe a nós tentarmos reverter isto e passarmos exemplos de tolerância, boa vontade para com nossos semelhantes,deixando este legado para nossos filhos e netos.
    Beijo.

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    1. O filme parece bobinho, mas traz uma lição e tanto. Precisamos ir além de aceitar as diferenças, precisamos acolher o diferente.

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  10. Adorei o post e fiquei aqui pensando nas oportunidades que algumas pessoas perdem na vida por não pensar dessa forma. "Eu era feliz e não sabia"...bem assim... Bjs

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    1. Muitas vezes o preconceito faz mais mal ao preconceituoso do que a sua vítima.

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  11. Eu assisti a esse filme quando criança e agora, lendo seu post, me deu vontade de assistir novamente. Adorei a sua postagem, realmente eu tenho visto muito mais panfletagem do que atitude, foi um dos motivos que me fez abandonar diversos grupos de discussão sobre o feminismo e outras coisas também. Suas postagens sempre foram excelentes, mas devo dizer aqui que tem se superado nos últimos tempos. Estou adorando os temas.

    http://doce-madreperola.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada! Ando tão enrolada com o meu tempo que não estou frequentando grupos de discussão, mas, por bem ou por mal, eles servem de fontes de inspiração.

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  12. Betty,
    Eu assisti esse filme muitas várias vezes, simplesmente amo!
    O preconceito é falta de amor próprio, muita gente perde muitas amizades
    e amores por causa desse mal.
    Gostei do seu texto, devemos olhar mais para o nosso próximo.

    Beijos ♥

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  13. Oi Betty... eu amo este filme e já assisti várias vezes... o preconceito cega mesmo as pessoas, eu tenho o privilégio de conviver com pessoas de diversos tipos e aprendo todos os dias com elas... Beijosss

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  14. O que acontece é que as pessoas "amam" muito no coletivo. AMAR alguém é uma coisa mais individual. Todo mundo fala que devemos amar negros, gordos, magros, albinos, maometanos, cristãos, evangélicos, baixos, altos, etc. Mas esquecem do conviver. Querem gostar sem a necessidade de conviver. Amar é outra "parada". è conviver com alguém diferenciado. Mas isso é assunto para o coração. Não para o cérebro ou "razão".

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    1. Seja vc quem for, adorei o seu comentário. Não tinha pensado em convivência, mas é por aí mesmo!

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