É muito amor próprio para pouca empatia

28 de fevereiro de 2018 25 comentários

É muito amor próprio para pouca empatia



Sempre chega aquele momento na vida, e geralmente é na adolescência, quando estamos nos debulhando em lágrimas por um amor não correspondido, que ouvimos de nossas mães que é preciso ter amor próprio.

Algumas pessoas passam por esse perrengue na vida adulta e, se não por um perrengue amoroso, pode passar por outras crises emocionais devido à profissão e outros motivos sociais ou familiares, e lá vem alguém falando do amor próprio.

A gente entra em qualquer rede social e é inundada por um monte de banners falando de amor próprio, de engrandecimento pessoal, nos lembrando que “quem não se ama – não é amado”, e um monte de clichês que parecem que vão resolver, ou ao menos melhorar a nossa vida pessoal.

Se não bastasse ter que ter amor próprio, tem que ter autoestima. Não, não é a mesma coisa. Acredito que amor próprio foque mais o lado psicológico, intelectual da pessoa, enquanto a autoestima é mais ligada ao lado material. Com a autoestima em alta eu posso me dar o direito de comprar um biquíni fio dental pouco importando o corpo que eu tenho, já o amor próprio diz como eu me sinto com relação às outras pessoas, como eu me aceito como EU intelectual e espiritual.


É muito amor próprio para pouca empatia


Amor próprio e autoestima, pelo dicionário são sinônimos, mas eu não costumo usá-los como tal.
O problema da autoestima muito elevada é que ela abafa a nossa autocrítica e você acaba vendo algumas Gretchen por aí, ou seja, gente que se acha linda para usar determinadas coisas e não está tão bem quanto pensa. Autoestima, sem autocrítica, pode transformar a pessoa num monstrengo de assustar criancinhas, mas embora uma autoestima muito inflada possa levar à pessoa ao ridículo, ela não costuma fazer mal a ninguém, nem à pessoa, nem àqueles com quem ela convive.

Separados os termos, então vamos falar sobre amor próprio...

Estou vendo tanta gente com egos inflados de amor próprio e vidas tão vazias que chega a dar eco!
É um tal de “eu posso e eu consigo” que as pessoas não param para se perguntar qual o preço que vão pagar por este poder e conseguir, a quem vão empurrar para longe, quem vão ferir nesta caminhada louca rumo ao sucesso pessoal. Que sucesso pessoal é este que não deixa espaço para um companheiro ou companheira, para um filho, uma família e muitas vezes nem mesmo para um bichinho de estimação? Que sucesso pessoal é este que está transformando a vida das pessoas num deserto?

Eu ia falar de mim e das dificuldades que passei com a doença do meu marido. Você que me segue deve ter notado que o blog ficou parado. Mas vou falar de uma pessoa que foi muito especial para mim.

Minha madrinha de crisma era a governanta de minha casa, minha Tata. Ela me criou e dedicou toda a sua vida a mim e minha família. Não precisava, pois era bem nascida, educada, tinha uma boa casa com suas irmãs, mas assumiu a mim e a minha família como uma empreitada. Se alguém me pedisse para definir a palavra AMOR, eu apontaria minha madrinha, pois ela era amor, amor desinteressado e pleno. Eu agradeço a Deus todos os dias por ter tido alguém como ela em minha vida. Nunca vi essa pessoa falar em amor próprio, no quanto ela precisava de espaço ou de se auto afirmar. Ela simplesmente amava e compreendia todos os nossos defeitos, falhas e necessidades. E ela era feliz assim.

Acho que minha Tata. Maria Toledo Barros, era uma santa, e eu não vou sugerir que você se torne uma santa, mas deve existir um equilíbrio entre a santidade e o amor próprio que vai fazer de você feliz e as pessoas a sua volta também.


É muito amor próprio para pouca empatia


Acho que este equilíbrio se chama empatia, é saber até que ponto você pode ir sem ferir quem está ao seu lado, sem deixar de lado quem precisa de você. Dá para se ter amor próprio amando ao seu próximo também.

Chega de falar em felicidade vazia, chega de tanto amor próprio, de tanta autoestima. Está na hora de rever esses cursos de coaching pessoal que estão criando sociopatas em treinamentos intensivos, que não conseguem olhar além do próprio umbigo.

A vida vai muito além de se amar e ela não vai ser melhor para você e nem para ninguém porque você se ama.

Será que existe algum coaching para treinar bondade, empatia e amor ao próximo? Se não há, então está na hora de inventarem ou de nos inventarmos para sermos pessoas melhores.



Notinha: Você notou as fotos que estão ilustrando o post?  Lindas, não são? Elas são de uma artista e fotógrafa que mora em Beirut, no Líbano. Visite e siga o seu perfil no instagram @larazankoul.




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25 comentários :

  1. Lindo te ler,Betty! Do jeito que o mundo anda, parece que cada vez mais as pessoas querem mostrar aos outros até pra se afirmar e convencer que podem,etc...

    Que bom ter uma TATA dessas na vida. Essas pessoas assim andam escassas e valorizá-las cada vez mais é preciso!E quanto ao que passamos, não é nada fácil. A vida nos gira, nos faz dar cambalhotas e vivemos como se a cada novo exame algo ruim possa aparecer novamente. Porém, seguimos e vamos em frente!!!

    Adorei as fotos também! beijos, tudo de bom,chica

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    1. Oi Chica
      Minha Tata foi um presente de Deus. Só aprendi a valoriza-lá depois de adulta. Hoje a tenho como uma meta de vida a ser alcançada .
      😙😙

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  2. Parabéns pelo post Betty! Leva-nos a introspecção. Bjs

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    1. É para pensar mesmo, mas na verdade só reflete sobre um texto como este, quem não precisa. As pessoas que precisam ler, nunca lêm.
      Bjs

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  3. Compartilhei no facebook, sensacional!
    Você tem talento pra analista...se quiser mudar de profissão....Rsrsrsr
    Bjs

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    1. Já penei em fazer psicologia... rsrsrs
      Obrigada pelo compartilhamento.

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  4. Acho que amor próprio é uma coisa, que as pessoas confundem com amor só a si próprio.
    Da pra se amar, se respeitar e fazer concessões.... Aliás o amor não é inflexível. Quem é engessado não ama, nem a si próprio

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  5. Alô Betty
    Excelente e maravilhosa publicação .
    Acho que este assunto daria mais publicações porque em todas as idades dependendo do caso há uma baixa estima masculina e feminina .
    Conto com voce para a continuação .
    Ameiiiiiiiiiii a post

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    1. É verdade, Marina, baixa autoestima varia de idade para idade e em cada uma é uma... Será que consigo dar continuidade?
      Bjs

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  6. Ei Betty
    Ótima reflexão, você escreve muito bem.
    Este negócio de coaching é puro modismo.
    Beijo, querida.

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    1. Tá demais! Tem coaching até para videntes! A palavra está sendo mal usada e está desgastada.

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  7. Oie, Betty, tudo bem?
    Que texto interessante... a auto-estima e o amor próprio são fundamentais, sem dúvida. Quando nos amamos, nós investimos em nossa educação, saúde e bem estar, nos impulsionamos a sermos felizes, maaassss... como você bem disse, auto-estima sem empatia... que triste.
    Você escreveu uma frase que me fez pensar: " Está na hora de rever esses cursos de coaching pessoal que estão criando sociopatas em treinamentos intensivos, que não conseguem olhar além do próprio umbigo."
    E o que falta muito é empatia, compreender e respeitar o outro pelo o que ele é. Eu confesso que esse coaching pessoal já me encheu também. Perceba que quando perguntamos: "tudo bem?" - nem sempre estamos, realmente, interessados no bem-estar do outro, porque vivemos uma vida que nos torna sociopatas e é contra isso que procuro lutar contra.
    Também me lembra o "amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo". Eu penso muito nessa máxima. Se eu não me amo, não consigo amar o próximo, e sem amar o próximo, não é possível que eu ame a Deus. O amor precisa ser abrangente, porque esse "amor próprio e auto-estima" que tanto se prega, está mais focado no próprio ego da pessoa, alimentando mais orgulho e egoísmo. O amar a si mesmo precisa ser amplo, gostoso, onde o outro, a natureza, a vida, os bichos também entram e fazem parte. Amar a si mesmo precisa levar ao senso de humildade, e os tais coachings levam à um caminho inverso, onde é apenas "eu x eu".
    Sim, eu prestei atenção nas imagens... e tem bem a ver com o seu texto ;)

    Beijo!
    Antonia / Concatenando Ideias
    https://concatenardeideias.blogspot.com.br/

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    1. Oi Antonia,
      Seu comentário é um texto lindo! Um verdadeiro post!
      Eu acho que está na hora destes treinamentos deixarem de ser tão pessoais. A felicidade é mais abrangente do que amar a si mesmo e tudo que coaching prega é puro egoismo.
      Bjs

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  8. Adorei, Betty! Bondade, empatia, gentileza, troca! São tantas coisas que podem fortalecer o nosso ser, aumentar nossa energia e sintonia boa com o outro. Asim fica mais fácil de amar! Linda reflexão! ;)

    beijos!

    https://ludantasmusica.blogspot.com.br

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    1. Amor é feito de troca, de doação. O amor não é egosita.
      Bjs

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  9. wow its look awesome dear,beautifull post,keep posting..

    https://clicknorder.pk online shopping in pakistan

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  10. Olá Betty! Bravo! Excelente ! Sim,amor próprio e auto estima vejo como você! Acho que tudo mundo tem que ser verdadeira consigo mesma e se olhar no espelho e dizer: estou confortável visualmente. O belo é harmonioso e é esta harmonia para mim que encanta. O excesso,o exagero,ou o menos no caso de roupas,para mim causa um desconforto visual. E quantas Gretchen aonde n encontra pelo caminho. Beijinhos glacial!

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  11. oi, Betty, adorei o texto e sabia que esta tem sido a minha preocupação? Tento ensinar aos meus filhos a serem caridosos, a sentirem amor ao próximo e a não serem materialistas, pois a maioria das crianças de hoje são educadas para serem melhores que as demais, para serem o centro das atenções.

    As imagens me chamaram muito atenção, olhei todas antes de ler o texto.
    bjk


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    1. Verdade, até as crianças estão sendo treinadas para serem umbigudas e só pensarem em si mesmas. Vc está certa, pois ninguém vive só.

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  12. Oi Betty, adorei seu texto! Quero te contar da experiência maravilhosa que está acontecendo na Udesc,em Santa Catarina, onde está sendo oferecido aos servidores e alunos um curso de coaching que tem a empatia, compaixão e amor ao próximo como diferencial. Fiz o curso ano passado, em um momento bastante difícil, e posso dizer o quanto esse curso mudou minha visão de felicidade e de gratidão. Esse curso foi idealizado pela maravilhosa Lídia Picinin, e começou no curso de veterinária, com os alunos de uma turma. O candidato a reitor na época ficou sabendo, gostou da ideia, e quando tomou posse, instituiu em toda a universidade, para técnicos, professores, alunos, e agora este ano, também para os egressos. Pequenos gestos geram grandes mudanças, como uma marola na água. A mudança na Udesc já está acontecendo. Gratidão pelos seus textos, sempre muito reflexivos, e que geram mudança de atitude em tantas pessoas, mesmo sem você se dar conta!

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    1. Oi Eliâne,
      fiquei curiosa para conhecer esse coaching que foca na gratidão, na empatia, pois tenho visto muita gratidão vazia e empatia zero. Anda ficando assutada com estes treinamentos malucos que andam fazendo por aí!
      Obrigada por seu comentário, ele é muito importante para mim.
      Beijos

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  13. Muito bom o texto, Betty. Pena que as pessoas que mais precisariam lê-lo estão preocupadas demais com os próprios egos inflados. Adorei saber sobre a sua Tata! Que bênção conviver com um ser humano assim, espécie em extinção. Abraço!

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