Julgamento precipitado – como lidar com isso

25 de abril de 2018 3 comentários

Julgamento precipitado – como lidar com isso



Quem nunca julgou alguém precipitadamente e depois teve vontade de sumir? O julgamento precipitado sempre envolve uma injustiça, e se você for uma pessoa sensível e honesta consigo mesma e com os outros, vai sentir também vergonha por ter agido tão mal.

Já juguei de forma apressada e errei, já fui julgada de forma apressada e a pessoa ou pessoas não tiveram a grandeza de se desculpar.

Eu era diretora de uma repartição e um dos funcionários era muito próximo a mim. Como a repartição tinha acabado de ser formada, todos os funcionários eram muito novos e eu era nova também, então manter a ordem não era fácil, pois as pessoas confundiam amizade com folga e acabavam causando problemas. Para dirigir aquela repartição, que estava acabando de nascer, era preciso ter punhos de aço.

Um dia, esse funcionário que era mais próximo, sumiu da repartição. Eu perguntava por ele e ninguém sabia me dizer direito onde ele estava. Tentei manter a calma, mas o tempo estava passando, eu precisava dele para um serviço, e nada... O pior é que os demais funcionários sabiam que ele era meu amigo e deixar passar em branco tal comportamento iria parecer um favorecimento pessoal.

Quando ele chegou, tranquei a porta da diretoria e passei um sabão (ainda se usa este termo?), mas daqueles de arrancar o couro. E ele calado, olhando para o chão. Tem coisa mais irritante do que alguém que não se explica e não diz nada? Falei até cansar.

Depois que ele saiu da sala, vieram me avisar que tinha um vazamento na cozinha e pediram para eu ir lá ver o quanto antes.

Os funcionários tinham montado uma festa surpresa para mim na cozinha: era meu aniversário. Eu queria morrer, pois o meu amigo sumiu porque tinha ido buscar o bolo e os refrigerantes! Fiquei emocionada e envergonhada, pois fui muito injusta com ele, juguei precipitadamente. É logico que pedi desculpas em público e este fato me serviu de lição por toda a vida. Antes de pensar mal de alguém e julgar essa pessoa, respire fundo e se dê um tempo, analise a situação.

... e já aconteceu comigo também o contrário: fui julgada precipitadamente, e mais de uma vez, mas uma delas me marcou muito.

Quando eu tinha 15 anos, namorei um cara muito mais velho. Ele estava quase se formando em engenharia e minha mãe fazia muito gosto nesse namorico. Eu era molecona e inconsequente e o tal namoro não durou nem seis meses. O namoro acabou e ele continuou amigo da minha família.

Nunca mais esse cara namorou ninguém! Ele era rico, bonito, educado, mas nada de aparecer com uma namorada. Os anos foram passando e foi se delineando que ele era homossexual, não assumido, mas era. Eu virei uma bela desculpa para a família dele: ele não namorava ninguém por que era apaixonado por mim. Mesmo fora da família, algumas pessoas acreditavam nisso.

Minha vida continuou e entre separações e maternidade, ele continuou amigo da minha família. Um dia eu recebi um telefonema de uma mulher que não quis se identificar, mas ela se dizia interessada nele. Ela me acusou de estar acabando com a vida do meu amigo, pois eu sabia que ele era apaixonado por mim e ficava alimentando esta paixão. Ele não conseguia seguir em frente com a vida dele por minha causa, e disse mais um monte de bobagens, as quais eu não podia e nem queria rebater. Desliguei o telefone muito chateada com a furiosa anônima, com ele por me meter numa mentira e com a injustiça disso tudo. Ela me julgou precipitadamente.

Todo mundo pode incorrer num julgamento precipitado, o melhor é ter o bom senso de evitar julgar apressadamente alguém, ou melhor ainda, não julgue ninguém, mas somos humanas e acabamos por falar e fazer bobagens.

Se você for julgada precipitadamente, não tem muito o que fazer, a não ser esperar que o seu juiz caia na real e peça desculpas pelo erro (a maioria não pede), mas se você julgou mal e feriu alguém, então o melhor é se desculpar o mais rápido possível. Todo mundo está sujeito a cometer gafes, mas fingir que não cometeu e esperar que o outro esqueça a sua grosseria só agrava o problema e eterniza o feito.


Foto Surface Law Firm
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3 comentários :

  1. acho que precisamos nos policiar para nao fazer isso inconscientemente pq é algo mt prejudicial para todos

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  2. Oi Betty... já fui julgada e já julguei também (e ainda julgo!), meu marido é meu ponto de apoio, ele é muito sensato e sempre quando falo algo de alguém ele pede para eu ver a pessoa ou a situação por um outro lado!
    Beijosss♥

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    Respostas
    1. Hoje eu já me seguro mais, mas precisou acontecer o fato queeu narro aqui com um colega de trabalho para eu mudar de postura.
      Beijos

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