Todos os clichês de Emily Em Paris - engraçados ou irritantes

 

Emily Em Paris Série Netflix

Emily Em Paris é a série mais assistida no Brasil no momento e teria tudo para ser uma série no mínimo fofa, pois a Lily Collins é linda e boa atriz, as tomadas externas da cidade de Paris são deslumbrantes, o figurino é maravilhoso e a série é dirigida e criada por, Darren Star, o mesmo diretor e criador de de Sex And The City, mas em dois tempos você dá conta que abusaram dos clichês sobre os franceses e sobre Paris.

Se o criador soubesse trabalhar com os estereótipos, como o fato dos franceses fumarem demais, poderia funcionar como algo engraçado, mas em vez disto virou algo irritante e grosseiro, pois é uma enxurrada de inverdades sobres os franceses que são jogados na nossa cara minuto após minuto.

 

Eu estive em Paris duas vezes na vida e acho a cidade encantadora, mas não chego a ser uma especialista em Paris, mas pelo que pude ver por lá:

 

Paris é uma cidade limpa

Embora os cães circulem com seus donos pela rua, nunca vi fezes ou fui premiada com um sapato atolado na lama como a Emily consegue fazer mais de uma vez.

 

Franceses são simpáticos

A série Emily Em Paris retrata os franceses como muito arrogantes e antipáticos, o que não é verdade. Quando você vai para um país, deve lembrar-se que aquele não é o seu país e deve respeitar os costumes locais. Se você cumprimentar um francês, antes de se dirigir a ele, ele vai reagir com simpatia e cordialidade.

Bem diferente do clichê dos franceses arrogantes, eles se desdobram para serem gentis e atenciosos.

Eu não falo francês e, tanto eu como meu marido arranhamos muito mal o inglês (eu estou melhorando e ainda vou chegar lá), quando estivemos em Paris queríamos chegar até um determinado ponto através do metrô. Ao perguntar ao guarda do metrô, com muita mímica e um endereço escrito num cartão, ele não teve dúvida de deixar seu posto, com o maior sorriso no rosto, e se dirigir conosco até um mapa da cidade na parede para mostrar que estávamos muito perto de onde queríamos ir.

Fomos bem tratados em pontos turísticos, em lojas e até mesmo em uma quitanda perto do hotel onde estávamos hospedados.

 

Se você não gosta de carne sangrando, não peça carne

Emily Em Paris mostra um chef de cozinha que não aceita que digam que a carne que preparou não está ao ponto, embora a carne esteja sangrando, e isto parece ser verdade. Os franceses tem outra definição de carne ao ponto que não é a nossa.

Da primeira vez que fui a Paris eu ainda comia carne (hoje sou vegetariana) e pedi um filé bem passado. Por filé bem passado eu entendia um filé tipo sola, quase carbonizado, mas o tal filé veio sangrando. Pedi para que passasse mais o filé e o chef da cozinha não gostou. O tal filé voltou praticamente da mesma maneira. Resumindo, comi só o acompanhamento que eram legumes refogados e aprendi a não pedir carne em lugar nenhum da França.

Vegetarianos não passam fome em Paris

Embora sejam raros os restaurantes vegetarianos em Paris, e os menus sejam praticamente compostos só por pratos com carne, não tive problemas na minha segunda visita a Paris, pois em todos os restaurantes que estive, ao explicar que eu era vegetariana, o garçom pedia um minutinho, ia até o chef, e voltava com várias sugestões vegetarianas ou até mesmo veganas.

Emily Em Paris série Netflix

Franceses são fumantes

Parece que os franceses fumam mais do que nós ocidentais, mas eles fumam em cafeterias abertas, não vi nenhum cigarro aceso em um café ou restaurante fechado.

Na primeira vez que estive em Paris, os cafés eram mesmo enfumaçados, mas logo que o cigarro foi demonizado, isso acabou por lá também.

Em Emily Em Paris mostram que na agência, em que ela trabalha, o pessoal fuma. Nunca estive em um lugar daquele tipo em Paris, mas quem já esteve afirma que aquilo não existe mais há muito tempo.

 

Franceses não são sexistas

Em um episódio, mostram que um perfumista famoso expõe uma mulher nua em um anúncio de um novo perfume, e Emily alerta que aquele anúncio seria sexista e poderia pegar mal em outros lugares do mundo.

Na verdade, há mais de trinta anos os anúncios franceses não exibem uma mulher nua. Franceses jamais agiriam como aquela agência ou aquele perfumista agiram. Aquela é uma visão clichê bem americana de como os franceses agem ou agiriam.

 

A série Emily Em Paris diz bem mais sobre os americanos do que sobre os franceses ou parisienses

Sem querer generalizar, mas já generalizando, muitos americanos são prepotentes e se julgam donos do mundo, taí o Donald Trump que não me deixa mentir.

Em uma viagem que fiz para o Peru, numa parada em Cusco, para poder seguir para Machu Picchu no dia seguinte, assisti a um show de grosserias de um bando de americanos. Eles cruzavam as pernas e colocavam os pés em cima das mesas de um bar, e um deles, sob o aplausos de todos, acendeu um charuto, com notas de dinheiro peruano. Eles eram ricos e estavam gastando muito, mas imagine se aquele bando pôde contar com a simpatia dos donos do local. É claro que não! Beberam comeram e pagaram bem, mas se alguém perguntasse para eles como eram os peruanos, provavelmente diriam que eram frios, antipáticos e distantes. Qualquer um que se comportasse como eles se comportaram, não receberia a melhor acolhida.

Muitos anos depois, via algo parecido em Saint Martin, no Caribe. Um navio de americanos aportou e quando os americanos desceram, eles entraram nas lojas empurrando aos demais clientes. Um dos guias comentou que eles sempre eram assim e que provocavam as piores reações nos locais.

 

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Para não assustar você de vez: A série não é ruim, apesar dos clichês. É romântica, engraçada, mas não é uma série inteligente como Sex And The City, menos ainda inovadora. Serve como diversão e é uma maneira de acreditar que tem um mundo lá fora em que a pandemia não existe e que se existe, um dia vai acabar.

Assista, mesmo sabendo que é bobagem, mas uma bobagem boa para passar o tempo.

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Betty Gaeta

Gosto Disto foi criado por Betty Gaeta, publicitária, advogada e blogueira, de Bauru - SP, para falar de moda, beleza, comportamento, viagens, decoração, filmes e tudo o que se refira ao universo feminino.

Um comentário:

  1. Jane Quintela de Carvalho17 de outubro de 2020 14:45

    Oi Betty... é uma série bem bonitinha, para passar o tempo... achei engraçada em algumas partes, mas parece que a linha da série são os exageros, assim como os franceses representam as mulheres americanas em muitos filmes como liberais no sexo, beirando a prostituição.
    Gostei da série e a Lily Collins pra mim é a atriz mais bonita da atualidade!!!
    Beijossss!!!

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